ENTREVISTAS

Nesta página, você poderá conferir as melhores entrevistas, seja ela em vídeo ou escritas, dadas por grandes dubladores e atores.

Para estrear esta página, inseri entrevista dada pelo grande dublador Guilherme Briggs para o Portal POP - Blog de Cinema.





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Segunda reportagem: Entrevista com Hermes Baroli e Luciana Baroli, para o programa Login, apresentado por Gabi França e Rodolfo Rodrigues, dividido em 8 partes.
Imperdível!!!

























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Entrevista com o grande dublador Marco Ribeiro (dublador de Rafael de Tartarugas Ninjas), realizada por Almir Marques.



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Entrevista com os dubladores de Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, no Anime Friends 2013.





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Entrevista com Ikue Otani, dubladora do Pikachu, publicada pelo portal Henshin, em 29/09/2010 por Yayoi Wada.

Entrevista com o Pikachu

Conheça a dona da voz do mascote mais querido pelos fãs de Pokémon do mundo inteiro

por Yayoi Wada 
29.09.2010

Esta reportagem faz parte das celebrações de aniversário de 10 anos da Henshin. A matéria foi publicada originalmente na edição N° 12, de 2000. Muito do sucesso de Pikachu se deve a sua voz. Com poucas palavras, ele expressa qualquer tipo de sentimento. Isso se deve graças a uma das mais respeitadas dubladoras japonesas: Ikue Otani. Pela primeira vez ela contou aos brasileiros curiosidades como originalmente era para o Pikachu falar e, claro, como é fazer um dos personagens mais famosos do mundo.
Ikue Otani estreou na área de dublagem em 1986, aos 21 anos, com o personagem Kiyoshi Hara do anime Ganbare Kickers. Uma das dubladoras mais talentosas de sua geração, ela tem em seu currículo vários trabalhos importantes. Os títulos são respeitáveis: Detective Conan (Mitsuhiko), Godzilla Kingdom (Megabyte), Hello Kitty (Pochi), Hime-chan no Ribbon (Nonohara Himeko Erika), Rurouni Kenshin (Tokiji), Sailor Moon (Tin Nyanko) e Yu Yu Hakusho (Shura). Ikue também atuou no teatro em peças que vão de James Joyce a musicais. Versátil, também fez a dublagem de seriados americanos como Full House – Três é Demais (Stephanie) e ER – Plantão Médico (Goldman).
Ikue recebeu a reportagem da Henshin em sua agência, a Mouse Promotion, que fica em Shinjuku, um dos principais centros comerciais de Tóquio. O local escolhido foi uma das salas de aula de dublagem da agência. Depois, ela desceu para o estúdio de gravação, localizado no subsolo, para uma sessão de fotos. Nossa conversa foi das mais animadas. Falante e sorridente, Ikue esbanja simpatia, e sua voz pausada e meiga lembra os personagens dos animes que dubla.
Henshin: Há quanto tempo você dubla Pikachu?
Ikue: Desde o começo da série. Acho que fazem uns quatro ou cinco anos.

Henshin: Como você foi escolhida para o papel?
Ikue: Me chamaram para fazer o teste para fazer o personagem e fui escolhida.

Henshin: Você precisa ser chamada para fazer esses testes?
Ikue: Se você não for chamado para o teste não tem nem chance.
Henshin: E foi no teste o seu primeiro contato com o personagem?
Ikue: Na época já existia um jogo para Game Boy e as crianças já conheciam o personagem, mas eu nunca tinha jogado. Antes de começar a fazer o Pikachu, houve uma apresentação do universo de Pokémon, da história, dos personagens.

Henshin: E o Pikachu do Game Boy já tinha voz?
Ikue: Não. Na época, os jogos só vinham com som eletrônico.

Henshin: E atualmente?
Ikue: Agora existem vários tipos de jogos. Tem um que se chama Yellow Version, no qual Ash anda com o Pikachu ao seu lado. Essa versão já vem com algumas falas do Pikachu.

Henshin: De qual dos seus trabalhos anteriores você mais gosta?
Ikue: Não sei dizer agora, mas existem vários.

Henshin: E quanto ao Pikachu?
Ikue: Gosto muito dele. No começo, quando fiz o teste, a idéia era que o Pikachu começasse a falar aos poucos, da mesma forma que o Meowth. Lembro que no teste existiam algumas falas como “Wakaranaidetchu” (em japonês, “wakaranaidesu” significa “não entendo”; o “detchu” é uma alusão ao “chu” de Pikachu). Mas como notaram que só as expressões iniciais eram suficientes para que ele fosse compreendido, chegaram à conclusão de que o melhor seria que ele não falasse.
Henshin: Como é passar uma mensagem sem usar palavras?
Ikue: Bom, é difícil. Quando quero expressar alguma coisa do tipo “ikouze” (vamos lá!), tento falar na mesma entonação que usaria para dizer isso.

Henshin: No entanto, sua voz é a voz do Pikachu em todo o mundo, certo? Como as pessoas entendem?
Ikue: Será que entendem mesmo? Que alegria. O Pikachu é um animal selvagem – pelo menos na origem –, um pocket monster, que é diferente de um ser humano. Procuro sempre ter isso em mente. Sempre imagino se os personagens humanos Ash, Brock e a Misty estão me entendendo ou não. Também procuro pensar o que o Pikachu, enquanto animal, pode ou não entender. Acredito que no Brasil também funcione da mesma maneira – quando se tem um bichinho de estimação, os donos sempre acham que os animais entendem o que eles dizem. E até certo ponto, entendem mesmo. Mas não se pode esperar que eles entendam tudo que é dito. Da mesma maneira, procuro trabalhar o meu personagem. Ele não é exatamente um bicho de estimação, mas também um amigo. Procuro sempre pensar no que ele está entendendo e também no que ele não pode entender. Talvez por isso seja mais fácil para as pessoas, independente da língua, compreenderem o Pikachu.

Henshin: Você ficou conhecida no mundo inteiro como a voz do Pikachu. Você sabe disso?
Ikue: É mesmo? Não sei muito bem. Bom, ouço falar que sim.

Henshin: O que você pensa sobre isso?
Ikue: Em primeiro lugar, fico muito contente. As crianças que assistem ao programa, ou mesmo os pais com filhos pequenos têm me dado um retorno muito bom. Quando essas crianças crescerem, talvez ainda se lembrem que assistiam a Pokémon. Acho que esse é um dos desenhos que vai ficar no imaginário delas, e essa possibilidade me deixa muito feliz.
Henshin: Você já recebeu cartas de fãs internacionais?
Ikue: Ainda não.

Henshin: Você sabia que é famosa no Brasil?
Ikue: Não, não sabia.

Henshin:
 Houve alguma mudança na sua vida desde que começou a dublar o Pikachu?
Ikue: A chance de fazer o Pikachu tem me dado muitas alegrias. Por exemplo, quando estou no trem e olho para o lado e vejo uma criança compenetrada jogando o Game Boy, ou com um tênis do Pikachu, ou segurando com cuidado a pasta do personagem. Elas não me conhecem, mas de certa maneira faço parte daquilo também – e sempre fico agradecida.
Henshin: Você se esforçou muito no início para criar o personagem?
Ikue: Como dubladora, estou sempre me esforçando para usar vários tipos de vozes para representar. Todos os papéis exigem muito de nós.
Henshin: Como foi o processo de criação da voz do Pikachu?
Ikue: Não sei como funciona em outros países, mas o sistema de dublagem para animação aqui no Japão começa com o desenho. Com ele pronto, os dubladores se reúnem e vão acompanhando o roteiro, que vem com algumas indicações de ação. Assistimos também ao desenho na tela e vamos trabalhando os diálogos. Às vezes acontece de estar escrito “pika pika” no roteiro, mas o movimento labial não parece ser exatamente esse. Esse tipo de coisa é discutido. Estamos, na verdade, participando do processo de criação junto com o diretor e os desenhistas. É claro que também recebemos dicas sobre o tom das falas, a intenção dos personagens. Na verdade, como as imagens passam na tela, não penso muito sobre como fazer – as falas saem naturalmente.
Henshin: Vocês recebem o roteiro no momento da gravação?
Ikue: Geralmente recebemos uma semana antes.

Henshin: Há algum tipo de ensaio?
Ikue: Não. Na hora, acompanho as imagens e o ritmo dos outros dubladores. Às vezes, o rosto do personagem parece preocupado. Então, fico pensando por que ele está preocupado.

Henshin: Quando o Pikachu parece preocupado, você também adquire esse tipo de fisionomia?
Ikue: Sim.

Henshin: Quais seus episódios prediletos de Pokémon?
Ikue: Tenho vários, mas acho que o primeiro é um dos que mais gosto. O encontro de Pikachu com Ash. No começo não nos damos bem. Depois que Ash salva Pikachu de um ataque é que começa a nascer uma grande amizade entre eles. Há também um episódio em que o Meowth e o Pikachu se perdem e por algum motivo eles estavam algemados – precisavam sempre andar juntos. A história se desenrola por uns 30 minutos. Como o Meowth fala, ele fazia o papel de apresentador.

Henshin: Por que você acabou sendo selecionada para o papel?
Ikue: Ouvi falar mais tarde que meu modo de falar “Pika Pika Pikachu” lembrava palavras reais.

Henshin: Você sabe alguma coisa sobre os Digimons?
Ikue: Não. Não sei mesmo. Ouvi falar do programa, mas não sei nada sobre o conteúdo do desenho.

Henshin: Há algum tipo de rivalidade?
Ikue: Não, de maneira alguma. O universo Pokémon se sustenta sozinho e por isso nunca cheguei a comparar os dois desenhos.

Henshin: Você lembra de alguma história divertida?
Ikue: Aqui, as gravações são feitas num estúdio com quatro microfones. As imagens passam em duas telas grandes e a gravação é feita direto por uns 15 minutos, sem intervalos. Ou seja, todos os dubladores interagem – e inevitavelmente, acontecem coisas engraçadas. Por exemplo, alguns monstros já têm falas prontas. Alguns ficam a cargo do próprio dublador. Nesses casos, o dublador não planeja muito. O som sai naturalmente em meio aos diálogos, seguindo as imagens. Algumas vezes, acabam saindo coisas muito engraçadas. Alguns Pokémons tiveram seus sons criados assim. O problema é que como a gravação é contínua, não podemos rir. Outra coisa gozada é que quando esse Pokémon volta a aparecer, precisa continuar com a mesma fala da primeira vez. Às vezes o dublador não é o mesmo, ou quando é acontece de não se lembrar da fala dele – ficamos nos perguntando como era. O melhor é essa sensação de estarmos criando juntos. Às vezes começamos a rir tanto que precisamos parar as gravações.
Henshin: Há algum tipo de escola para dubladores?
Ikue: Sim, existem muitas.

Henshin: Você freqüentou alguma?
Ikue: Fiz um curso sim – mas não é a escola que ensina. Não é para desanimar os que aspiram a profissão, mas não depende tanto da escola que se freqüenta. Eu fiz curso aqui mesmo na Mouse Promotion, que na época ainda se chamava Ezaki Production. Foi quando entrei em contato com muitos profissionais que eram nossos professores. Acho que mais importante do que a escola é conhecer os professores e os profissionais da área e aprender com eles.
Henshin: Quando você decidiu ser dubladora?
Ikue: Na verdade, eu queria ser atriz. No Japão, a maioria dos atores escolhe uma área de comunicação, do tipo cinema, teatro ou dublagem. Bom, mesmo no caso de “voice acting” existem algumas áreas diferentes: narração em comerciais, “voice over” e animação. Eu não tinha me dado conta de que havia essa área de dublagem. No começo eu queria fazer teatro. E quando me dei conta estava aqui.

Henshin: Que tipo de estudos você realiza?
Ikue: Uma espécie de observação participante das pessoas. Às vezes fico me observando também – por exemplo, quando estou brava ou discutindo com alguém, e começo a falar rápido. Fora dessa realidade, tem uma parte de mim que analisa o quanto eu consigo falar rápido quando estou brava. Ou no trem, quando vejo alguém bêbado, penso: “nossa, as pessoas ficam assim quando bêbadas”. Ou tento adivinhar o que as pessoas fazem. Observo bastante. Preciso entender e expressar sentimentos que não são sempre os meus para diferentes papéis. Por isso, é importante entender que nessa mesma situação eu faria uma coisa, mas há outros tipos de pessoas e outros pontos de vista e outras reações.

Henshin:
 Você faz algum tipo de estudo para criar vozes diferentes?
Ikue: Vozes diferentes acabam limitando a variedade de personagens e um mesmo personagem precisa variar de voz dependendo da situação e dos sentimentos. Acredito que uma mesma pessoa tenha vários tipos de vozes. Na verdade, acho que embora a maneira de usar a voz varie – dependendo da ação, do personagem, idade e sexo – ela em si não muda tanto. Faço muitos papéis de criança. Sempre me preocupo com o tipo de conhecimento que uma criança dessa idade tem, a maneira de compreender, reagir e sentir. Acho que cada personagem ganha personalidade com a voz, independente de ela ser diferente ou não do outro. O importante é a maneira de falar. Por isso minha voz não muda tanto de personagem para personagem.




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Em entrevista ao site Recreio , Wendel Bezerra (dublador do Bob Esponja),dá dicas para quem quer ser dublador:

Já pensou em ser dublador? Veja como funciona a profissão

Wendel Bezerra, que dubla o personagem Bob Esponja, ensina o passo a passo

TextoShirley Paradizo

Muitos dos filmes e desenhos a que você assiste na televisão são feitos fora do Brasil e falados em outra língua. E como é que os personagens falam português? Fácil. Eles são dublados. Dublagem é o nome do trabalho em que os programas são passados para o idioma do país onde são exibidos.
O processo parece complicado, mas é bem divertido. Isso é o que garante o paulista Wendel Bezerra, que trabalha na área há quase 30 anos e já dublou diversos personagens da televisão e do cinema. Entre eles está o morador mais querido e atrapalhado da Fenda do Biquíni, o Bob Esponja. É dele ainda a voz do Goku, de Drangon Ball Z, e do Duke Devlin, de Yu-Gi-Oh!
RECREIO: Como virou dublador?
WENDEL: Aos 8 anos, eu já trabalhava como ator em teatro, fiz um teste de dublagem e nunca mais parei de dublar. Hoje, sou diretor de dublagem e tenho um estúdio onde dou aulas para crianças e jovens.
RECREIO: Como você escolhe o tipo de voz para cada personagem?
WENDEL: Primeiro procuro conhecer o personagem que vou dublar. Então, treino algumas vozes que combinam com ele. Também faço o máximo para que elas fiquem diferentes das outras vozes que usei.
RECREIO: Qual é o seu personagem predileto?
WENDEL: Tenho um carinho muito grande pelo Bob Esponja, porque ele mudou minha vida profissional. Ele me ajudou a ter meu trabalho.
RECREIO: Qual personagem queria ter dublado, mas ainda não conseguiu?
WENDEL: Todos os que eu não fiz. Adoro dublar!
RECREIO: Você acha mais legal ser ator ou dublador?
WENDEL: Acho bem mais legal ser dublador do que ator. Como dublador, eu posso interpretar qualquer personagem. Posso fazer desenho, filme, ser um japonês, um herói, um vilão, um mocinho, um cara feio ou um bonito, um homem alto ou baixo... Enfim, não existem limites para dublar!
RECREIO: Que conselho você daria para quem quer ser dublador?
WENDEL: A dublagem é uma profissão maravilhosa, porque você pode começar na profissão tanto aos 6 anos quanto aos 60 anos de idade. Isso porque tem personagens para todo tipo de voz. E o mercado está crescendo bastante. Até nos cinemas aumentou o número de filmes dublados.



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Entrevista com dubladores os dubladores Nelson Machado, Cecília Lemes e Garcia Jr., no   Programa Agora é Tarde, com Rafinha Bastos - apresentado dia 18/10/2013.


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Entrevista com o dublador Charles Emmanuel para o site GCPlayers,publicado em 25/04/2014.



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Entrevista com o dublador Pedro Alcântara, a voz do Precinho (propaganda Carrefour), entre muitos outros trabalhos, publicada no site Frango Filosófico , no dia 30 de julho de 2014.
Entrevista indicada pelo leitor de nosso blog  Thiago Dalleck( e também repórter da entrevista).









ENTREVISTA COM O DUBLADOR PEDRO ALCÂNTARA, O PRECINHO DO CARREFOUR


Pablo - Backyardigans
Pedro Alcântara tem apenas 19 anos, mas já carrega um extenso currículo na carreira de dublador, tendo trabalhado em praticamente todos os estúdios de São Paulo. Passando por desenhos infantis da Discovery Kids até febres do anime japonês, como Pokémon, atualmente está trabalhando como diretor dos estúdios de dublagem Woodvideo (responsável pelas produções da Califórnia Filmes e da maioria dos filmes exibidos pela Rede Globo) e como diretor da Marmac, um estúdio novo que grava para a FoxHBO e Turner.Entrevistamos Pedro sobre sua carreira e principais trabalhos, e você pode conferir na íntegra!
Frango Filosófico: Pedro, você ainda completará 20 anos em 2014 e trabalha com dublagem desde criança. Com quantos anos começou a dublar? Qual foi seu primeiro personagem?
Pedro Alcântara: Comecei a dublar quando eu tinha 7 anos e meu primeiro papel foi uma ponta no filme Ted Bundy. Sim, isso mesmo, sobre o serial killer. Tive apenas uma fala e foi numa cena bem estranha. Umas 4 crianças falavam “eu sou o Ted Bundy”, cada uma de uma vez. Nunca entendi essa cena.
F.F.: Como foi a experiência? Foi difícil no começo?
P.A.: Quando eu comecei, não era a coisa mais simples do mundo, porque ler o texto, interpretar e sicronizar ao mesmo tempo são coisas complicadas, mas ter aprendido a ler quando eu era pequeno e ter trabalhado com locuções comerciais para o interior de São Paulo antes de ir pra dublagem me ajudou bastante.
F.F.: Qual é o seu personagem preferido dentre os que já dublou? Por quê?
P.A.: Gosto de muitos personagens que eu dublei, porque é sempre uma experiência bacana, mas o que foi mais marcante pra mim foi o Pablo, dos Backyardigans. Eu achava o desenho muito bacana e gostava muito de dublar. Além disso, o carinho dos fãs (ou dos pais dos fãs, que eram quase todos crianças com menos de 5 anos) era ótimo. É muito bom quando eu sei que meu trabalho deixa o público feliz e, com Backyardigans, fiz amizade com várias famílias que conhecia nas comunidades (sdds Orkut) e chegava até a gravar mensagens de áudio para os espectadores mirins :)
F.F.: E qual o que menos gostou? Ou o que foi mais difícil.
Ziggy - LazyTownP.A.: Quanto a isso de desgostar de algum personagem, foi mais raro pra mim. É mais fácil eu não gostar do filme, de modo geral, do que do personagem, especificamente. Não curtia muito dublar filmes de terror, porque ou eles me deixavam com medo ou com nojo (é, eu sei, que moleque fresco eu sou), mas hoje acho que levo numa boa. Já que minha resposta quanto ao que eu menos gostei não foi direto ao ponto, por que não responder à segunda opção? Até onde eu me lembro, o personagem mais difícil que eu já dublei foi o Ziggy, de LazyTown. Santo Deus, era impossível sincronizar as falas nas bocas doidas daquele boneco. Eu e todo o elenco (pelo menos os dubladores dos bonecos) sofríamos bastante.
F.F.: Alguém já reconheceu a sua voz por algum dos seus trabalhos?
P.A.: Bem, fora do meu hábitat natural (meu quarto), é raro o pessoal reconhecer minha voz porque eu… costumo falar pouco com as pessoas. A não ser com os meus amigos. Com eles eu não calo a boca. Mesmo. Mas como a maioria deles já sabe que eu sou dublador, nem acaba fazendo diferença.
Apesar disso, já ouvi histórias de pais de fãs (aqueles lá do Orkut), contando que seus filhos já confundiram desenhos por causa da minha voz.
F.F.: Sabemos que você também fez a voz do Precinho, o mascote do comercial do Carrefour. Você pode dizer um pouco sobre como foi fazer esse trabalho? As pessoas sabem que você é o Precinho? Haha!
Precinho - Carrefour
P.A.: A voz do Precinho, do Carrefour, foi um trabalho bem legal de se fazer. Fui a voz dele por uns 6 anos. Não sei se todo mundo que tá lendo a entrevista conhece, mas era uma bolinha azul que falava com a Ana Maria Braga sobre… Bem, o Carrefour™. Ele tinha uma voz fininha, porque comecei a fazer esse trabalho quando ainda era pequeno e é bem curioso que, a cada ano que passava, o pessoal do estúdio aumentava o efeito na minha voz pra ela continuar como era lá pra 2006. Sobre as pessoas saberem que eu sou o Precinho? Na escola eu nem atendia mais pelo meu nome. Sério, tinha muito Pedro nas minhas turmas, então se alguém gritava “Pedro!”, eu presumia que era pra outra pessoa. Acostumei MESMO a ser chamado só de Precinho. Ou Preço. Ou qualquer outra variação disso. Uma vez um menino me chamou de Little Price e o pessoal achou engraçado. Aí uma menina foi me chamar de “Price” e, como ela não era muito boa no inglês, mandou um “Preici” mesmo (pronúncia aportuguesada). Esse “Preici” aí também é popular entre meus amigos. De uns 3 anos pra cá, foi aumentando o número de pessoas que me chamam de Pedro (provável consequência do fim da escola), mas ainda estranho de vez em quando.
F.F.: Agora sobre seu trabalho como diretor. Conte pra gente como é dirigir um estúdio de dublagem. Os dubladores respeitam um diretor de 19 anos?
Pedro Alcântara
Pedro Alcântara
P.A.: O trabalho de direção de dublagem é SUPER legal. Basicamente, eu vejo filmes e séries o dia todo. Mas apesar de ser legal e parecer simples, não é a coisa mais fácil do mundo. Precisa ter muita atenção, ser rigoroso com a interpretação e até mesmo ter criatividade pra poder fazer ajustes no texto, quando necessários, sem atrapalhar a história do filme. Sou o diretor de dublagem mais jovem de São Paulo (e talvez do Brasil, não tenho certeza quanto a isso), mas não tive nenhum problema com isso até agora, já que conheço a maioria dos dubladores desde pequeno. Aprendi bastante com cada um deles e me esforço todos os dias pra mostrar que os ensinamentos que me passaram não foram em vão. Não posso deixar de mencionar também os técnicos de áudio, os tradutores, o pessoal da coordenação etc. Muita gente além do dublador e do diretor é importante pra que o resultado final fique supimpa.
F.F.: O que você está dirigindo atualmente? Tem alguma produção preferida que você fez questão de trabalhar nela?
P.A.: Estou participando da direção de algumas séries pra Fox e pra FX, na Marmac, além de alguns longas-metragens na Woodvídeo. E sim, tem uma produção preferida minha: Power Rangers. Estou dirigindo a dublagem de Power Rangers Supermegaforce, a próxima temporada da série, que ainda não estreou no Brasil (MAS EU RECOMENDO A TODOS, PORQUE TÁ SENSACIONAL, SÉRIO, MUITO MONSTRÃO GIGANTE E MEGAZORD E HORA DE MORFAR) e eu realmente fico empolgado trabalhando com Power Rangers!
F.F.: Algumas pessoas não gostam da dublagem brasileira, mas ela sempre se mostrou parte importante do nosso entretenimento. Onde você enxerga a dublagem no futuro?
P.A.: No que diz respeito ao público, acho que a dublagem vai continuar tendo a mesma importância de sempre: dar acesso ao entretenimento a crianças ainda não-alfabetizadas, pessoas com dificuldade para enxergar e também aos fãs, que preferem ver um filme falado em sua própria língua a ler legendas durante as cenas. Já nos bastidores, acredito que as coisas vão ficar cada vez mais práticas pra gente (na parte burocrática, com relatórios, impressão de roteiros, mapas de referências de personagens etc) porque tá tudo ficando digital. Quanto à parte artística, é claro que os computadores e seus programas de captação de áudio facilitam nossa vida puxando, empurrando, esticando uma ou outra coisinha… Mas acho improvável que algum dia a tecnologia supere o bom e velho trabalho de interpretação dos atores em dublagem.
F.F.: Agradecemos pela entrevista, Pedro! Gostaria de deixar uma última mensagem?
P.A.: Eu que agradeço. Adorei responder a essas perguntas sobre esse trabalho. Também gostaria que o público experimentasse ver mais coisas dubladas. Se uma dublagem que você vir for ruim, não generalize e desista da dublagem para todo o sempre. Afinal, se você compra uma carne de má-qualidade, você vira vegetariano ou só passa a comprar em outro açougue? Erm… Esse exemplo não serve muito pra quem já é vegetariano… mas deu pra entender.

As vozes de Pedro Alcântara

Pablo em Backyardigans
Ziggy em LazyTown (1ª voz)
Fred em Will e Dewitt
Willy em 24 Horas: A Redenção
Adam em O Enviado
Beck em Brilhante Victória
Peter em Em Busca da Terra do Nunca
Emil em O Homem Pelicano
Bo em O Senhor dos Ladrões
Kenny em Pokémon
Harry em Harry e o Balde dos Dinossauros
Kirby Cheddar em Zeke & Luther
Clifford em Clifford, o Cachorrinho
Edelberto em Edelberto, o Tigre
Ned em Os Irmãos Coala
Marco em Castelo Animado
Frederico em Cirkolina e a Grande Ratinha
Truman em Os Guerreiros Wasabi
Criança em Boo!!

Little Bill em Little Bill


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Entrevista realizada em 02/12/2014 com o grande dublador Wendel Bezerra (dublador do Goku do anime Dragon Ball / Bob Esponja / entre outros), para o programa The Noite com o apresentador Danilo Gentili.


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Entrevista com o dublador Carlos Seidl, a voz do Seu Madruga (Seriado Chaves),publicado em 16/05/2015 no site Youtube - Canal Making Of.
Entrevista indicada pelo leitor de nosso blog  Yordan Cavalcanti (e também repórter da entrevista).




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Entrevista com o dublador Fábio Lucindo, a voz do Ash(Anime Pokemon),publicado em 22/05/2015 no site Youtube - Canal Making Of.
Entrevista indicada pelo leitor de nosso blog  Yordan Cavalcanti (e também repórter da entrevista).




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Vídeo indicado pelo nosso leitor Yordan Cavalcanti.
Publicado no site Youtube - Canal Making Of, é um quadro do canal que se chama O que eu nunca ouvi um dublador falar, com o dublador do Hyoga de Cisne - Francisco Bretas, Ben 10 - Charles Emmanuel e Ash - Fábio Lucindo.






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